segunda-feira, 18 de março de 2013

Sobre a morte e suas repercussões




Quantos dos seus personagens fictícios favoritos morreram? Para aqueles que são fãs das Crônicas de Gelo e Fogo, de George Martin, a resposta seria: Muitos =/

Morte sempre foi um assunto complicado. Mesmo na mesa de RPG, poucos jogadores se orgulham de suas mortes, a menos que o jogo em questão seja Paranoia ou Fiasco. Mas, será a morte no RPG algo tão ruim assim?

É verdade que dar o último adeus a um personagem bem criado e amado é uma coisa terrível. Mas pode servir como elemento narrativo e parte da historia que enriqueceria qualquer campanha, por isso eu sugiro que, em longas campanhas, deixem seus personagens perecerem quando isso acontecer, não nutram rancor contra os outros jogadores ou com o mestre.

Porém, mestre, não mate os jogadores por uma auto-satisfação insana. Não acho que mestre deve ser inimigo dos jogadores, muito menos acho que os jogadores devam olhar o mestre como inimigo. De fato, creio que todos só querem se divertir, mas, algumas vezes, devemos encarar nossas escolhas e vermos as conseqüências. Nesses momentos, os personagens que tomaram decisões malucas, temerárias, estúpidas e etc, devem morrer. Mas também acho que, às vezes, heróis morrem tomando decisões corretas. Essas mortes não estão erradas, acho que elas podem incrementar um jogo de uma forma muito peculiar.

Um jogador que tenha perdido o personagem pode criar um novo, que tinha algum vínculo com o personagem morto, e que se inspira nas histórias do falecido, ou que deseja vingança pela morte do antigo personagem. Típica historia de anime ou rpg japonês.

Personagens podem morrer como parte da história, mas, mestres e jogadores, façam da morte do personagem como um marco na campanha. Torne a morte algo memorável, mesmo que tenha sido uma morte idiota, torne-a parte da história. No sentido de que, mesmo muito adiante, ela venha a influenciar os fatos depois.
Quando Ned Stark morreu, Robb uniu o norte contra Porto Real. Se ele tivesse ficado em casa, na paz de Jah, lamentando a morte do pai, não teríamos um dos livros mais emocionantes de toda série das Crônicas de Gelo e Fogo.

Da mesma forma, um personagem que morreu, pode dar muito pano para manga para qualquer mestre e jogador. Como a morte de Boromir, que veio a agravar a Loucura de Denethor e influenciou suas ações para com os membros da antiga Comitiva do Anel.

Porém, jogadores, não se iludam acreditando que boas mortes são mortes heroicas.  Mortes podem ser estúpidas e gerarem grandes acontecimentos. Como Khal Drogo, que morreu de uma forma tão inusitada e indigna. Com a morte dele, o khalassar se desfez, Daenerys ficou traumatizada e desconfiada de todos, além de sempre se lembrar de seu antigo amado.

Logo, não importa como a morte aconteceu, o que importa é a forma como os jogadores e mestres tratam dela. Não façam o personagem morto ser esquecido brevemente. Conte historias do falecido nos momentos de interpretação. Interprete lembranças e motive os sobreviventes com memórias daquele personagem que se foi. Um exemplo besta poderia ser sobre a morte de um personagem, falecido de forma estúpida, e alguns meses depois, os sobreviventes entram numa taverna e um bardo canta uma canção sobre aquela morte escrota.


Por fim, jogador que perdeu um personagem, tenha dignidade. Alguns RPG’s permitem que alguém seja ressuscitado. Eu, em particular, acho isso uma bosta. Mas se o amor pelo antigo personagem é tão grande que a dor de deixa-lo partir é insustentável, peça para o mestre narrar uma aventura paralela do fantasma do personagem traçando seu caminho de volta à vida, enquanto os outros personagens tentam, no mundo físico, trazer o morto à vida.

O conselho é: faça da morte algo para se lembrar e vangloriar. Da mesma forma como é feita nos filmes e livros.

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